Cegueira de banner

Cansados de ver propagandas que não interessam e só irritam, os internautas passam a ignorar indiscriminadamente a área onde estão os banners. Não sou eu quem estou dizendo, são várias pesquisas científicas. Uns dizem que a causa é a acomodação por estímulo repetitivo (é como se acostumar com o barulho da obra ao lado), outros atribuem às más experiências prévias (banners inúteis e mentirosos) e outros à expectativa do usuário ao entrar no website (se entro numa página atrás de links, não vou ver banners). Eu acredito na soma dos fatores.

Pergunte aos seus amigos que não sabem que você faz banners para viver se eles costumam ver os banners na Internet. “Ah sim, claro”, responderão. Pergunte o que eles viram anunciado. “Enlarge your penis” e outras sacanagens, talvez. Se clicaram qualquer que fosse, fazem parte de menos de 1% dos seus amigos. Note que essa é uma taxa de cliques comemorada pelas agências de publicidade online, hoje em dia. Antigamente, era 2% e mais antigamente ainda, era 7%.
Apesar da taxa de clique não ser a métrica de sucesso mais adequada para os banners, 1% de recall é ridículo para uma mídia que oferece tanto controle ao anunciante.
Apesar do banner ser uma propaganda menos intrusiva do que as praticadas em outras mídias, o usuário não perdoa. O meio impele uma posição mais crítica, por causa da interatividade e pretensa ilusão de controle. Cada banner vai limando a paciência do usuário, pouco a pouco.

Banners incomodam quando:
• não tem relação com o conteúdo da página (ClicRBS é campeão nisso);
• anunciam coisas que não interessam;
• se colocam no meio do caminho da leitura ou navegação (outra vez cito o ClicRBS, apesar do conteúdo e notícias serem interessantíssimas e confiáveis);
• são feios;
• são coloridos demais;
• piscam irritantemente;
• enganam o usuário se fazendo passar por uma janela de sistema operacional.

Algumas pessoas tem maior reserva de paciência, outras nem tanto. Mais dia, menos dia, passam a ignorar banners e tudo o que se parecer com eles. Economiza tempo, economiza atenção, economiza saúde. Apesar de rotineira, a tarefa de separar o joio do trigo no mar de informações é cansativa.

Convenhamos, o banner é fácil de ignorar. Está sempre no mesmo lugar, pisca, tem cores fortes. Pode até ficar gritando enquanto se lê um texto, mas ninguém dá o braço a torcer fácil assim.
No caminho do trabalho para o almoço, sempre passo por uma esquina onde spammers-de-rua tentam me vender cursos de informática. “Bom dia, moço. Posso falar com você um minutinho?”, com aquela voz bem fina. No começo, respondia com educação: “Desculpe, estou com pressa”. Depois era “Estou com pressa”. Agora eu digo “Não”. Banner não é pessoa, posso ignorar sem nenhum remorso.

Solução para os anunciantes? Google Adwords é um exemplo bem sucedido.
O segredo é falar o que o usuário quer ouvir, com o máximo de precisão possível. Isso é aproveitar o que a Internet tem de diferencial com outras mídias. Isso é verdadeira interatividade.

Artigo publicado em meu blog pessoal em novembro de 2008.
Mais um da série “do fundo do baú”

Oberte Feijó

[Design] A escola da Gestalt

Gestalt é uma Escola de Psicologia Experimental, que atuou principalmente na área da teoria da forma, com contribuições significativas aos estudos da percepção, linguagem, memória, inteligência, entre outros.
A teoria da Gestalt sugere uma resposta ao porque de certas formas agradarem mais que outras, mas não baseada no subjetivismo do “Feio x Bonito”, mas sim apoiada na fisiologia do sistema nervoso e na psicologia, sempre através de rigorosos experimentos e pesquisas.

Segundo a Gestalt, a percepção da forma pelo cérebro é sempre uma percepção global dos estímulos, ou seja, o cérebro não enxerga elementos isolados, e sim as relações entre eles. Portanto, enxergamos o todo e não partes dele. A hipótese da Gestalt para explicar estas forças integradoras é uma estruturação natural do sistema nervoso, que tende a organizar as formas em todos coerentes e unificados, em busca de sua própria estabilidade. Para nossa percepção, não existe qualidade absoluta de cor ou forma, há apenas relações.
Através dos estudos, os gestaltistas perceberam a presença de certas constantes nessas forças integradoras, que explicam porque vemos as coisas de certa maneira. Segue então um breve detalhamento destas forças de percepção.

- Unificação e Segregação:
Agem em virtude da igualdade ou desigualdade de estimulação. Para a formação de unidades, é necessária a presença de contraste, para que formas e relações sejam percebidas.

- Fechamento
Esta força de organização é importante para formação de unidades. É explicada por exemplo, por figuras que apesar de formadas por contornos não contínuos, são enxergadas como unidades, no caso de linhas pontilhadas formando uma figura, onde se enxerga a figura, e não as linhas isoladas. Existe a tendência psicológica de se unir intervalos e estabelecer ligações.

- Boa Continuação
Explica a tendência de fluência natural das curvas. O cérebro tende sempre a enxergar a melhor continuação de retas e curvas. Através desta força, pode-se direcionar o cérebro a enxergar imagens de determinadas formas, de acordo com a necessidade. Uma figura com linhas internas contínuas tende a ser vista como bidimensional, enquanto o desencontro de linhas internas nos direciona a tridimensionalidade, por exemplo. Retas, são mais estáveis do que curvas, e curvas que não seguem a boa continuação natural, perdem fluência e harmonia.

- Proximidade e Semelhança
Estas duas forças tendem a trabalhar separadamente ou juntas, se reforçando ou enfraquecendo mutuamente. A proximidade mostra que elementos próximos uns aos outros tendem a serem vistos como unidades, onde quanto menor a distância entre eles, mais unidade. A semelhança estabelece unidades através da igualdade de cor e forma, ou seja, elementos semelhantes tendem a se agrupar naturalmente.

- Pregnância da Forma
Este princípio é geral, abrange todos os outros. Segundo a gestalt, as forças de organização tendem a se dirigir sempre à melhor forma possível, no sentido da clareza, unidade e equilíbrio, o tanto quanto permitirem as condições dadas pela imagem, ou seja, quanto melhor a forma, mais pregnância ela terá, e melhor será sua relação com o cerébro. Uma imagem de boa Gestalt é enxergada com muito mais clareza pelo cerébro, e conseqüentemente de forma harmoniosa.

Sendo assim, o processo de criação de imagens, seja pela arte, ou pelo design, deve sempre se basear em fatores como equilíbrio, clareza e harmonia.
Vale frisar, que não deve se analisar a validade das leis da Gestalt, e sim aproveitar a contribuição objetiva da escola, através das vastas pesquisas, experimentos e observações diretas de dados.
Finalmente, deve-se observar a importância da noção de unidade da Gestalt na psicologia da percepção, e também a importante relação sujeito-objeto, que indica que cada imagem percebida é o resultado da interação das forças externas (luz na retina) com as forças internas (a tendência de organizar da melhor forma possível os estímulos externos).

Este texto escrevi em meu blog pessoal em 18 de dezembro de 2008.
Lá, não consegui responder aos comentários da Hellen, e espero que aqui possa responder e ajudá-la sempre que precisar.

Dias difíceis…

Saber e mesmo assim continuar andando…

Começo o dia procurando informações, sempre. Quero saber. E, lendo o noticiário em alguns sites, fico com a sensação de que neste país o melhor seria não saber nada, ser ignorante, não entender absolutamente nada e somente assistir TV e não ter conhecimento dos ladrões de gravata por exemplo, que nos governam, sim, eles nos governam. Assim, prefiro acreditar realmente num mundo do meu jeito e não no real que bate a minha porta todas as manhãs. Vivemos dias conturbados e difíceis, epidemias preocupantes, atrocidades contra crianças sendo naturais aos olhos de muitos, e eu, como pai, fico triste e revoltado, tenho vontade de passar mais tempo com minha filha e não consigo, pois os dias, esses dias de que falo, passam cada vez mais rápidos sob meu olhar e pouco consigo observar e aproveitar de fato daquilo que me proponho.

Bom, você deve estar se perguntando o que isso tudo tem com o Blog, e eu respondo: Nesses dias, esses dias tão estranhos, tenho a impressão de que nada conseguiremos fazer melhor, pois o que muitos procuram é o pior, e ando desanimado com tudo. E o pior está aí, chegando a sua porta, seja pelas ondas da sua rádio preferida, músicas sem conteúdos, inúteis, sem sentidos, ou por notícias terríveis que não te acrescentam nada, assim como programas de televisão que não entendo como ficam no ar, e há, ainda, anunciantes que pagam fortunas para estarem visíveis nos comerciais destas bostas coloridas, assim, eu me revolto mais, e penso: quanto menos eu souber, mais feliz eu serei. Será?

Realmente não sei mais. A cada mente há o prazer necessário e suportável que mereça, e talvez isso consiga me alentar, então, consigo seguir pensando que podemos ser muito poucos, mas faremos a diferença. Hoje, deixarei as notícias de lado e viverei em meu mundo, onde fazer o melhor, trabalhar 15 horas por dia muitas vezes, é sem dúvida, o norte que me levará a conhecer dias melhores. Dias melhores que com minha parte, e a sua, talvez conseguiremos banir essa tendência do óbvio, do que é fácil é melhor e então teremos manhãs com mais cultura, mais cinema, mais decência e menos televisão pra analfabetos.

Precisamos acordar, temos em nossas mãos uma tecnologia que Darwin não tinha, e, mesmo assim mudou a história humana. Precisamos bater de frente com esse muro que nos faz parar toda vez que encontramos algo desconhecido, que não entendemos. Precisamos ir além e sei que é difícil.

Sair do comodismo, parar de perder tempo com o Orkut ou similares e fazer algo que realmente seja útil, diferente, que mude algo em sua vida ou na vida de outros que estão a sua volta. Mude. Lute para melhorar sempre no que faz. São de lutas diárias que alimentamos nossos ideais e nosso coração. São os desafios que nos fazem crescer mais ainda que as próprias vitórias. Não seja extremamente fácil, para todo mundo poder cantar, e talvez, ser feliz sem saber de nada… Aceite o desafio que está guardado.

Enfim, toda essa volta, para chegar aqui: Mude. Faça diferente mesmo sabendo que tudo está um caos e que há muita coisa ruim lá fora ganhando espaço. Por que o site daquela empresa que estou finalizando tem que simplesmente aparecer como todos os outros? Por que não posso adicionar efeitos e transições que transmitam a essência do seu produto

Por que há pessoas que insistem em ver o mundo pela ótica da matemática? E, por que todos precisamos viver num padrão, seguir os mesmos caminhos que todos seguiram e tentar conseguir os ideais desses? Corra atrás do seu ideal e daquilo que acha certo dentro do razoável. Incrível como a sociedade anda em fila sem perceber, tudo igual, todos lutando para permanecerem no padrão, tomando as mesmas escolhas e parando sempre no mesmo lugar.

Vá além, sonhe, entretanto, realize seus sonhos, corra atrás e não deixe desanimar pelo mundo lá fora, ele é apenas uma marcha de uma sociedade sem ideais que andam sem saber onde vão, estão no automático e já não fazem mais escolhas. Eu acredito em você e nos seus ideais, basta você seguir agora.

É tudo culpa da publicidade?

M_Rampi_Save_The_Robots

por Márcio Rampi_marciorampi.com

Talvez perdido entre o vagalhão das horas que correm depressa demais, ou estático diante do consumo irresponsável que está minguando o planeta, você também já deve de ter se perguntado de quem, afinal, é a culpa de tudo isso, dessa avassaladora senda de acumular coisas que não tem valor em detrimento das que de fato tem. Nessas horas de reflexão, a velocidade do mundo dá um tempo, e entra em cena a velocidade do pensamento: vamos de um lado para o outro, imaginamos mil possibilidades, anotamos milhares de fatos. Um destes fatos é esta clara certeza de que existe mesmo algo errado no horizonte, algo velado nas entrelinhas do processo, expresso nesta fúria consumista dos homens sobre a terra, sugando tudo o que podem até que não exista mais nada.

Alguns, nesta hora crítica de achar um aríete, resolvem botar a culpa na publicidade. É muito comum ouvir as pessoas afirmando que a culpa desse ímpeto consumista é toda da publicidade, que gera os desejos nas pessoas e faz com que consumam de forma alucinada, sem critério, e valorizem o que não deveria ter, de fato, tanto valor assim. Este valor atribuído erroneamente ás coisas, dizem, é criação da publicidade, e assim uma magnífica ferramenta de informação acaba “pagando o pato” por um processo que, na realidade, tem causas muito mais profundas do que somente criação de significados mentirosos para venda pura e simples, ou o despertar de desejos que não são os nossos verdadeiros desejos por intermédio de uma máquina de criar vontades. Quem culpa a publicidade pelo furor do consumismo deveria pensar um pouco mais sobre o que, na verdade, é publicidade.

A publicidade não é este monstro criador de mentiras para vender coisas sem o menor sentido. Uma ótima definição sobre o que é publicidade vem da Escola de Chicago, e define publicidade não como persuasão, mas como informação. Se conseguimos ver o mercado como um processo de inter-relação das ações de vários indivíduos, chegaremos ao lugar que dirá que a publicidade é, de fato, a produção de consciência do consumidor, uma ferramenta que reduz a ignorância do consumidor para com o produto oferecido. Ou seja: a publicidade vista desta forma não está mostrando ao consumidor algo que ele não deveria consumir como algo que ele deveria consumir, mas sim está colocada como um mediador da relação – o que de fato a publicidade é. Falando de psicologia, o universo dos desejos vai mostrar que o mercado está permeado de vontades para todos os lados, e o desejo pelas coisas na verdade não vem da publicidade, ela não cria o consumo, mas sim cria mecanismos para mediar uma relação que já está colocada.

No entanto, nesta terra de definições rasteiras, lá vai o mundo no corre-corre desenfreado de todos os dias, com seus poucos momentos de lucidez, atrás de culpados. Todo mundo consome tudo ao mesmo tempo agora e tudo está acabando mais rápido do que se previa? Culpa da publicidade, que me fez ter esta vontade de comprar coisas que eu não preciso, acumular bugigangas, trocar o modelo antigo pelo novo. Enfim: a fúria dos desejos acha um álibi para justificar seus movimentos sem explicação,e o mundo gira, a roda gira, amanhã é um novo dia e consumimos o que tiver pra consumir. E se não tiver mais nada para cosnumir? A publicidade inventa algo!

Brincadeiras á parte, é mais do que hora de passarmos a não encontrar desculpas. No fundo, não é questão de encontarr culpados, é uma questão de fazer as leituras corretas, assumir as parcelas da culpa e modificar o pensamento em favor de um mundo melhor, onde pode haver consumo, sim, mas não o consumismo desenfreado e sem sentido que temos hoje, motivados por status ou vontades mesquinhas como o ter por ter. A culpa não é da publicidade, se corremos mais pelo produtivo do que pelo afetivo, com a cabeça plugada em coisas que não conseguimos controlar. É hora de criarmos mentalidade crítica, pensarmos antes de agir, analisarmos o processo com clareza para atingirmos objetivos mútuos. Isto posto, ficará ainda mais fácil ver a publicidade não como este monstrro criador de desejos, mas sim como a ferramenta mediadora que elucida uma relação de consumo que deveria estar embasada em criticidade e consciência que de fato ela é.

E você, o que acha? É mesmo tudo culpa da publicidade? Deixe sua opinião.

Por que não Flash?

Por que Action Script 3.0?
E, por que afinal, projetos em Flash?

Essas perguntas frequentemente vêm de encontro às ideias que tenho para projetos de interatividade e design para a web.
São perguntas pequenas e muitas vezes sem argumentos concretos e com preconceitos monstruosos. Entretanto, as respostas poderiam vir em listas enormes, com inúmeras razões.
Arquivos pesados? Não mais, isso é lenda e carrega-se um arquivo ao mesmo tempo e fazendo o carregamento somente daquilo que o usuário necessitar, ou seja, traz para a tela somente as páginas chamadas pelo visitante.
Algumas páginas em HTML ou outras linguagens vão abrindo aos poucos e carregando as imagens aos poucos, ajustando-se aos poucos à página duramente, e isso seria o ideal para você (caso não seja um programador intransigente e obsoleto)?

E os motores de busca do Google? Ah, agora você pode estar pensando que isso faria eu desistir, pois os SWF não são vistos por eles!
ENGANO, o Google já indexa arquivos em SWF, até mesmo projetos inteiros em Flash (claro que com outros recursos de SEO e ActionScript).

Então, vamos aos fatos:
O Flash é excelente para projetos de interfaces visuais. Não conheço nada melhor, e sinceramente não acredito que haja ferramenta mais prática para criar animações multimídia, efeitos visuais e sites completos com uma identidade visual bem definida, centrada e focada no cliente, seguindo suas campanhas em impressos e publicidade paralela, onde o design domina, e não há ninguém nesse campo que aconselhe o cliente a programar o impresso melhor, pois o código de fundo não está no padrão…
Padrão? Pois é há algumas pessoas que a tudo querem transmitir padrões, e agradeço que haja para todo o sempre, a mãe sagrada diversidade, irmã do bom-senso e tia da informação.

Paralela à animação, utilizamos uma linguagem orientada a objetos, a ActionScript, linguagem baseada em ECMAScript, utilizada principalmente para construção de aplicações Internet rica (do inglês RIA – “Rich Internet Applications”). É executada em uma máquina virtual (AVM – “ActionScript Virtual Machine”, atualmente na versão 2) que está disponível no Flash Player (plug-in encontrado em navegadores web) e também no ambiente Adobe AIR.

A AS3 é muito parecida com Java, a diferença é que esta é muito pesada e lenta, e não possui uma interface gráfica padrão, poderosa quanto a do Flash, ficando evidentemente em vantagem a ActionScript. O Flash sempre foi rápido sabendo fazer o projeto da forma certa, e o fato é que mesmo um computador antigo consegue controlar várias animações na tela sem ficar lento e agora com a AS3 está muito mais veloz, refizeram a máquina virtual do Flash Player e adaptaram novas mudanças, que posteriormente posto aqui.

Enfim, quebre os modelos padrões, faça diferente…
Design é inovação, faça com designers!