Vida de Designer

Como muitos sabem, nossos cogumelos também são designers… Principalmente “web designers” e “graphic designers” (também chamados por alguns de “faz site” e “faz criação”). Mas enfim, hoje me perguntaram quanto cobramos por determinados trabalhos, como criação de logo, ou customização de um uniforme, e coisas do tipo.

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Ai me lembrei algo que sempre quis compartilhar com nosso adoráveis clientes.  O problema, é que tem alguns clientes que literalmente abusam do “é rapidinho”, ou “tão fácil”, ou ainda “tudo isso? até meu filho/subrinho/primo faz de graça”. Então senhores clientes chatos, quando utilizar tais frases abaixo, lembre que o que pra você o que é só arrastar aqui, ou esticar ali, para nós VERDADEIROS PROFISSIONAIS, não é só isso. Até mesmo porque se fosse, até seu sobrinho faria, certo? Ah ele faz pra você? Ele faz de graça? Que legal, então porque fica me enchendo as paciências por 4 horas, faço o visual todo ao invés de ir fazer com ele?

As frases utilizadas pelos clientes e nossos comentários…

• “Aumenta só um pouco essa letra? Mais um pouco… Só mais um tiquinho. Não tão grande né pô!”
(vai decidir ou não?)

• “Coloca esse amarelo mais vivo?”
(amarelo ovo?)

• “Troca esse vermelho, por amarelo?”
(sangue amarelo?)

• “Será que você pode virar o rosto dela no computador, pra ficar de lado, acho q vai ficar melhor”
(como em uma foto 3×4 escaneada?)

• “E se a gente mudasse o menu pra cá? To achando isso meio parado…”
(com o site pronto para publicação? fdp)

• (Depois de pedir incessantemente pelo estetoscopio na capa do manual médico) “É mesmo, né? Não ficou muito legal….. e agora?”
(eu faleiiiii…)

• “Puxa mais pra ca.. Isso agora mais pra ca, isso, troca essa cor.. agora inclui essa foto… podia mudar aqui ne? hum… po parace que piorou você não está entendendo o que eu quero…”
(quer fazer melhor? fica a vontade)

• “Poderia fazer um logotipozinho, logomarcazinha, marquinha e marquinhazinha pra mim na faixa?” Também válido para “logotipo bem pequenininho”, “simbolo”, “desenho pra colocar no cartão” e “elipse.”
(acham que se usar no diminutivo, fica mais fácil e barato)

• “Tudo isso por um convitezinho???”
(diminutivo de novo)

• “Pô preciso de um folder rapidinho, pra um evento amanha cedo, e preciso mandar para a gráfica tipo pra hoje lá pelas 17:00 pode ser?” (olho pro relógio e ele marca 16:45)

• “Poderia dar um só um jeitinho aqui pra mim?”
(opa claro perai….. *clique no delete* …. pronto, melhorou?)

• “Faz um cartaz pra mim de graça?”
(sim claro, vou pegar pronto um no Print artist mesmo kkkkk)

• “Poderia botar um design no meu site?”
(e acha que eu fiz o que nesses 3 dias de trabalho?)

• “Porra meu, tudo isso? eu só quero uma letra girando, assim ó”
(só preciso dessa notinha de 100 aqui ó)

• “Só preciso de um cartãozinho mixuruca mesmo”
(e eu só preciso de um pagamento mixuruca mesmo)

• “Igualzinho a esse aqui, só vai colocar o meu timbre ao invés do dele aqui em cima, entendeu? Pra não dar trabalho mesmo…”
(CTRL+C e CTRL+V)

• “Sem muitos detalhes”
(tipo Google?)

• ”Isso aí, você coloca no computador e ele faz”
(faz claro, o computador é milagroso)

• “Eu tenho um sobrinho que faz assim…”
(pede pra ele)

• “Eu tenho um sobrinho que faz tudo de graça…”
(já disse, então pede pra ele)

• “Ei, você que mexe com computador…”
(não, eu mexo com grama, tá servido?)

• “Ah foi bom te ver aqui, você não é o cara da informáica?”
(não está escrito no meu uniforme Mundo da Informática porque eu moro lá….)

• “O chefe do departamento ja escolheu até a letra e a cor, agora ficou fácil”
(fica mesmo… só pagar que tudo fica fácil)

• ”Não, não.. você não vai ter trabalho nenhum, mesmo. É so colocar no computador mesmo”
(e acha que pra colocar num dá trabalho?)

• “Na verdade o serviço JÁ ESTÁ PRONTO! É só colocar um pouco de design”
(simples assim…)

• “É só uma firula mesmo né?”
(não)

• “Pra enfeitar o pavão…”
(não sou veterinário nem decorador)

• “Na verdade é porque eu não tenho tempo pra fazer..”
(e eu não tenho grana)

• “Eu confio em você, vê ai alguma coisa em inglês pra colocar como nome empresa…”
(Stupid Bussiness, tá bom?)

• “Depois a gente vê uma maneira de te compensar…”
(eu vejo agora…)

• “Vê ai o que você faz pra mim?”
(nada)

• “Nossa, mas é so um site! Isso tudo?”
(não isso é só a entrada…)

• “TUDO ISSO POR PÁGINA??????”
(cada vez que a pessoa repetir essa frase multiplique o valor)

• “Aproveita pra ver o que aconteceu com o antivirus daqui da loja?”
(claro vou instalar um monte de virus)

• “Ah.. tá.. mas isso já estão incluidas as fotos e as modelos né?”
(claro, as “modelos” da G Magazine)

• “É só esticar aqui, ó”
(estica o dinheiro na minha direção, assim ó)

• “E você usa o computador pra isso?”
(não, eu uso pra fazer bolo)

• “Coisa simples”
(quando o cliente fala isso, nunca é simples)

• “Não você não entendeu é simples mesmo”
(aham, claro… então faz você!)

• “É você não entendeu mesmo”
(não entendo burrês)

• “No Paint (brush) eu a ferramenta do ‘pincelzinho’… Qual você usa nesse Photoshop?”
(procure um curso mais próximo)

• “Só uma galeria de fotos. De umas 1.000 a 5.000, mas é só colocar ali no canto”
(só isso?)

• “Ué, mas é só copiar do jornal.”
(o jornal não tem CTRL+C)

• “Escaneia daqui da revista mesmo”
(CTRL+C e CTRL+V)

• “Você que faz site né?”
(virei mecânico free-lancer)

• “DUZENTOS E CINQUENTA REAIS???”
(subir mais R$ 50,00 a cada grito de desespero)

• “Fotolito? Não, não, não vamos contratar fotografo”
(CTRL+ALT+DEL)

Santa paciência .com .br!!

Fonte: Pé de Cogumelo

Que farsa somos nós?

Caminhe, o mundo é grande e não há padrão em tudo

Há manhãs em que acordamos e encontramos um muro à frente que parece intransponível. Esses dias são aqueles em que achamos que somos comuns demais e que provavelmente não conseguiremos entregar um trabalho, que não somos suficientemente criativos para elaborar um belo e atraente projeto visual para um site talvez, ou uma canção de trabalho para o próximo álbum que todos esperam sedentos de curiosidade e expectativa de que seja a melhor música de todas feitas até então, ou aquele texto que todos leem matinalmente e aguardam esta manhã uma novidade.
Enfim, estamos sempre tentando superar nós mesmos, e muitas vezes, não é incomum a insegurança bater à nossa porta. Para mim, costuma até ser frequente. E, se há incertezas é porque este caminho à frente é único, não fora trilhado ainda por outros, criamos soluções (Soluções Para Um Mundo Diverso, slogan criado em conjunto com o Márcio Rampi, mas não é bem disso que estou falando…).

Nossa área de atuação, o design ou processo criativo, é baseada em um pensamento quase sempre divergente que é resultante da ação focada no hemisfério cerebral direito: imaginando, ousando, buscando novas alternativas, saindo do velho paradigma; e, jamais baseada em regras, e sim em conexões surpreendentes de criatividade.
Não há, e jamais existirá, a fotografia ou a ilustração que sejam totalmente certas, elas podem ter uma técnica correta, no entanto, qualquer peça de comunicação demanda muito mais que isso. A ideia que possa existir o completamente certo para formas de expressão soa muito ridículo, além de ser coisa de Nerd.
A técnica não costuma ser difícil. A gramática é fundamental para a compreensão de uma língua, mas seu conhecimento não é o suficiente para transformar professores de Português em poetas. Da mesma forma, os aplicativos de design são muito importantes, mas não fundamentais. A técnica e a criação são processos completamente diferentes. A primeira garante certezas, a segunda é responsável pelas variações. Em outras palavras, a incerteza é parte fundamental do raciocínio criativo. É ela que promove o desequilíbrio e o questionamento fundamentais para se fazer coisas novas. Um bom designer deve, portanto, conhecer a fundo as ferramentas que usa, mas também deve, antes mesmo de chegar perto delas, pensar bastante no que pretende conseguir com elas.

Quaisquer respostas sem boas perguntas, são fracas.  Nesse processo, saber dosar a insegurança é fundamental. Sem ela, não se evolui, e se ela for excessiva, também não.