Dias difíceis…

Saber e mesmo assim continuar andando…

Começo o dia procurando informações, sempre. Quero saber. E, lendo o noticiário em alguns sites, fico com a sensação de que neste país o melhor seria não saber nada, ser ignorante, não entender absolutamente nada e somente assistir TV e não ter conhecimento dos ladrões de gravata por exemplo, que nos governam, sim, eles nos governam. Assim, prefiro acreditar realmente num mundo do meu jeito e não no real que bate a minha porta todas as manhãs. Vivemos dias conturbados e difíceis, epidemias preocupantes, atrocidades contra crianças sendo naturais aos olhos de muitos, e eu, como pai, fico triste e revoltado, tenho vontade de passar mais tempo com minha filha e não consigo, pois os dias, esses dias de que falo, passam cada vez mais rápidos sob meu olhar e pouco consigo observar e aproveitar de fato daquilo que me proponho.

Bom, você deve estar se perguntando o que isso tudo tem com o Blog, e eu respondo: Nesses dias, esses dias tão estranhos, tenho a impressão de que nada conseguiremos fazer melhor, pois o que muitos procuram é o pior, e ando desanimado com tudo. E o pior está aí, chegando a sua porta, seja pelas ondas da sua rádio preferida, músicas sem conteúdos, inúteis, sem sentidos, ou por notícias terríveis que não te acrescentam nada, assim como programas de televisão que não entendo como ficam no ar, e há, ainda, anunciantes que pagam fortunas para estarem visíveis nos comerciais destas bostas coloridas, assim, eu me revolto mais, e penso: quanto menos eu souber, mais feliz eu serei. Será?

Realmente não sei mais. A cada mente há o prazer necessário e suportável que mereça, e talvez isso consiga me alentar, então, consigo seguir pensando que podemos ser muito poucos, mas faremos a diferença. Hoje, deixarei as notícias de lado e viverei em meu mundo, onde fazer o melhor, trabalhar 15 horas por dia muitas vezes, é sem dúvida, o norte que me levará a conhecer dias melhores. Dias melhores que com minha parte, e a sua, talvez conseguiremos banir essa tendência do óbvio, do que é fácil é melhor e então teremos manhãs com mais cultura, mais cinema, mais decência e menos televisão pra analfabetos.

Precisamos acordar, temos em nossas mãos uma tecnologia que Darwin não tinha, e, mesmo assim mudou a história humana. Precisamos bater de frente com esse muro que nos faz parar toda vez que encontramos algo desconhecido, que não entendemos. Precisamos ir além e sei que é difícil.

Sair do comodismo, parar de perder tempo com o Orkut ou similares e fazer algo que realmente seja útil, diferente, que mude algo em sua vida ou na vida de outros que estão a sua volta. Mude. Lute para melhorar sempre no que faz. São de lutas diárias que alimentamos nossos ideais e nosso coração. São os desafios que nos fazem crescer mais ainda que as próprias vitórias. Não seja extremamente fácil, para todo mundo poder cantar, e talvez, ser feliz sem saber de nada… Aceite o desafio que está guardado.

Enfim, toda essa volta, para chegar aqui: Mude. Faça diferente mesmo sabendo que tudo está um caos e que há muita coisa ruim lá fora ganhando espaço. Por que o site daquela empresa que estou finalizando tem que simplesmente aparecer como todos os outros? Por que não posso adicionar efeitos e transições que transmitam a essência do seu produto

Por que há pessoas que insistem em ver o mundo pela ótica da matemática? E, por que todos precisamos viver num padrão, seguir os mesmos caminhos que todos seguiram e tentar conseguir os ideais desses? Corra atrás do seu ideal e daquilo que acha certo dentro do razoável. Incrível como a sociedade anda em fila sem perceber, tudo igual, todos lutando para permanecerem no padrão, tomando as mesmas escolhas e parando sempre no mesmo lugar.

Vá além, sonhe, entretanto, realize seus sonhos, corra atrás e não deixe desanimar pelo mundo lá fora, ele é apenas uma marcha de uma sociedade sem ideais que andam sem saber onde vão, estão no automático e já não fazem mais escolhas. Eu acredito em você e nos seus ideais, basta você seguir agora.

Que farsa somos nós?

Caminhe, o mundo é grande e não há padrão em tudo

Há manhãs em que acordamos e encontramos um muro à frente que parece intransponível. Esses dias são aqueles em que achamos que somos comuns demais e que provavelmente não conseguiremos entregar um trabalho, que não somos suficientemente criativos para elaborar um belo e atraente projeto visual para um site talvez, ou uma canção de trabalho para o próximo álbum que todos esperam sedentos de curiosidade e expectativa de que seja a melhor música de todas feitas até então, ou aquele texto que todos leem matinalmente e aguardam esta manhã uma novidade.
Enfim, estamos sempre tentando superar nós mesmos, e muitas vezes, não é incomum a insegurança bater à nossa porta. Para mim, costuma até ser frequente. E, se há incertezas é porque este caminho à frente é único, não fora trilhado ainda por outros, criamos soluções (Soluções Para Um Mundo Diverso, slogan criado em conjunto com o Márcio Rampi, mas não é bem disso que estou falando…).

Nossa área de atuação, o design ou processo criativo, é baseada em um pensamento quase sempre divergente que é resultante da ação focada no hemisfério cerebral direito: imaginando, ousando, buscando novas alternativas, saindo do velho paradigma; e, jamais baseada em regras, e sim em conexões surpreendentes de criatividade.
Não há, e jamais existirá, a fotografia ou a ilustração que sejam totalmente certas, elas podem ter uma técnica correta, no entanto, qualquer peça de comunicação demanda muito mais que isso. A ideia que possa existir o completamente certo para formas de expressão soa muito ridículo, além de ser coisa de Nerd.
A técnica não costuma ser difícil. A gramática é fundamental para a compreensão de uma língua, mas seu conhecimento não é o suficiente para transformar professores de Português em poetas. Da mesma forma, os aplicativos de design são muito importantes, mas não fundamentais. A técnica e a criação são processos completamente diferentes. A primeira garante certezas, a segunda é responsável pelas variações. Em outras palavras, a incerteza é parte fundamental do raciocínio criativo. É ela que promove o desequilíbrio e o questionamento fundamentais para se fazer coisas novas. Um bom designer deve, portanto, conhecer a fundo as ferramentas que usa, mas também deve, antes mesmo de chegar perto delas, pensar bastante no que pretende conseguir com elas.

Quaisquer respostas sem boas perguntas, são fracas.  Nesse processo, saber dosar a insegurança é fundamental. Sem ela, não se evolui, e se ela for excessiva, também não.

Qual é o seu problema?

À medida que a profissão de design de mídias digitais se torna mais conhecida, aumenta o grau de conhecimento dos clientes com relação a seus processos e demandas. Não há como negar que é muito saudável ter um cliente que saiba a diferença entre GPS e GPRS – ou que, em um nível ainda mais básico, saiba que Pantone não é uma marca de condicionador de cabelo. Mas essa popularização da profissão também traz seus problemas.

Desde o surgimento da Editoração Eletrônica que a mídia enfatiza a facilidade de uso e a versatilidade das ferramentas de publicação, deixando de lado todo o conhecimento técnico de composição visual que sempre caracterizou a profissão. Hoje, que Photoshop é uma palavra tão usada e conhecida em português quanto Google, o público geral parece ter se esquecido que a máquina não trabalha sozinha e que o talento do design não está em sua habilidade manual, mas na mental.

Para piorar, design é considerado por muitos uma forma de refinamento. Isso não significa que as pessoas tenham ficado mais atentas às formas e cores das coisas, nem que estejam melhor informadas quanto às tendências na área, muito pelo contrário. Entre aqueles que não são profissionais da área, design é compreendido como uma forma de decoração, um modismo que segue tendências e influências. Ou seja: não se valoriza a comunicação mais eficiente, mas a mais parecida com as marcas de destaque na área, como a Apple, a Nike ou a uma enxurrada de empresas de “web 2.0”, a ponto de fazer com que layouts que ostentem logotipos com bolhas, reflexos, faixas diagonais e letrinhas arredondadas tenham se tornado praticamente um padrão.

O mais terrível é ver como essas “tendências” desinformadas e desconectadas com as necessidades de uma marca desaparecem quase tão rápido quanto surgiram. Há algum tempo, o mundo digital era o reino das projeções ortogonais, pixel fonts e pixel art. Antes disso, era a época do Eye4u, com logotipos bi e tridimensionais a flutuar pela tela. Antes ainda tínhamos uma praga de sombrinhas em tudo que era ícone.

Essa uniformidade visual mais prejudica do que ajuda. Se levarmos em consideração que as pessoas cada vez mais se preocupam com a forma com que “vestem” sua presença on-line, em breve os designers terão que lidar com clientes que, apesar de conscientes da importância da profissão, buscarão usá-la para se tornar cada vez mais parecidos com os outros. Em outras palavras, buscarão uma espécie de “elegância discreta”, que se traduz naquela roupa hedionda de executivos com ternos azul-claros e sapatos caramelos.

Não me entenda mal, não tenho nada contra a moda. Em especial aquela moda criativa, que se vê nas passarelas e passa longe, muito longe dos escritórios. O problema está em quem segue seus efeitos, sem pensar nos motivos que os geraram. A função do design, em todas as suas áreas de atuação, é a de transmitir uma mensagem da forma mais clara, sintética e eficiente possível. Se puder agregar personalidade, melhor. Mas não se pode esquecer que a forma sempre deve seguir a função, como já diziam os tios da Bauhaus.

O design universalmente aceito como belo, esteja nas curvas de um pára-lamas ou de um par de seios de silicone, pode ser extremamente perigoso para uma marca ou negócio. A mensagem não-verbal é instantânea, e pode muitas vezes ser mal-interpretada, simplesmente por seguir uma firula gráfica inadequada. Se levarmos em conta que o consumidor dos produtos que você desenha para seu cliente tende a ser tão analfabeto visual quanto ele, o resultado final pode ser um mal-estar generalizado, que não pode ser expresso em palavras, e que significa uma coisa só: que tanto o erro quanto a culpa são do designer.

Por isso, da próxima vez em que seu cliente quiser “rejuvenescer a marca”, “mudar o look-and-feel do site”, “arejar a diagramação” ou qualquer bobagem do gênero, lembre-se que isso não é competência dele, mas sua. Por mais que ele queira ajudar, faça-o perceber que o técnico é você e que a instrução mal-compreendida pode levar a resultados catastróficos. Ele não deve sugerir cores, formas ou tipografias, mas objetivos de negócios e resultados esperados. Cabe a você traduzir esses termos do dicionário de business para o de design. Essa é, em última instância, a função do designer.

Uma estratégia para que você chegue a esse estado de mútuo respeito e compreensão pode estar na simples pergunta que faz o título desse post: qual é, afinal, o problema de seu cliente? Mudar o logo, a cor, a diagramação ou a forma são problemas seus, não dele. Um cliente sério tem em mente os entraves de negócio que o design pode solucionar: aumentar visitação, diminuir suporte telefônico, aumentar conversão de vendas, associar a marca a determinada faixa etária… Todos estes, problemas bastante cerebrais, lógicos e numéricos.

Cabe ao designer traduzi-los para aquela atividade intangível e fascinante do design.